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ANGÚSTIA
Senhores
Desembargadores, Senhora Desembargadora
Há dois meses entregamos à presidência
desta Corte, por meio do Sindicato dos Funcionários
e Serventuários da Justiça de Alagoas, nossa
entidade representativa, o Plano de Cargos e Salários
da categoria. Trata-se de um anseio antigo de todos os serventuários,
que há mais de dez anos esperam ver reconhecida a
importância do trabalho que desenvolvem em favor da
sociedade.
Num ato que reconhecemos louvável, este Tribunal,
dignamente representado por seu Presidente, o Desembargador
Estácio Gama de Lima, determinou a formação
de uma comissão e esta, sob a coordenação
do Exmo. Juiz Manoel Cavalcante Lima Neto, prontamente elaborou
um Plano de Cargos e Salários.
Concluído o trabalho, a comissão encaminhou
a proposta do PCS ao Presidente solicitando-lhe que adotasse
as medidas legais necessárias para sua apreciação,
tanto pelo Pleno deste Tribunal quanto pelo Poder Legislativo.
A proposta que cria uma carreira vencimental para os serventuários
da Justiça foi recebida no dia 12 de junho último
pelo Desembargador-Presidente, que assumiu conosco o compromisso
de agilizar sua apreciação.
Passados dois meses do recebimento, não vislumbramos
ainda sinais de que uma das mais antigas e mais importantes
reivindicações de nossa categoria será
atendida.
Somos justos reconhecendo a boa vontade do Presidente da
Egrégia Corte, que desde o primeiro momento manifestou
a disposição de garantir salários dignos
aos servidores! Mas, somente agora no mês de agosto,
após dois meses da entrega, a minuta do PCS foi encaminhada
oficialmente aos demais Desembargadores para fazerem o estudo
e as modificações que entenderem necessárias.
Impõe-se a obrigação, em nome de todos
os serventuários, de manifestar nossa apreensão.
Mais que isso, queremos externar nossa angústia!
Que é a angústia de trabalhadores com vencimentos
defasados, submetidos às dificuldades que contrariam
o papel e a importância do Poder Judiciário.
A sombra do desespero começa a rondar nossa categoria.
A cada dia cresce mais o temor de ter que continuar esperando
por melhorias que levam décadas para se realizar.
Vale relembrar que remonta a 1993 o reajuste de salário
que recebemos e que, ainda mais desesperador, foi implantado
em parcelas. A última delas paga em dezembro de 2003,
exatamente 10 anos depois.
É
doloroso para nós relembrar que nesse mesmo ano perdemos
50% da gratificação de Serviço Extraordinário.
As conseqüências até hoje são sentidas.
Apesar de termos tentado conseguir reconquistar os 50%,
com a greve de janeiro deste ano, somente 10% foram implantados,
o que não resolveu de todo nossos problemas, pois
muitos de nós continuamos endividados em decorrência
dessa perda.
Na negociação para o fim da greve o Tribunal
se comprometeu em elaborar e aprovar o Plano de Cargos e
Salários. A primeira parte do acordo foi cumprida:
o Plano está pronto. Queremos agora que esta Corte
avance, transformando em realidade o discurso de valorização
da Justiça e de seus Servidores.
Nós serventuários somos uma das poucas categorias
do funcionalismo estadual que não tem um Plano de
Cargos e Salários. Vários outros servidores
em todo o Estado já comemoram essa conquista, a exemplo
da Educação, Saúde, Polícia,
etc. O Ministério Público, através
do seu Procurador-Chefe, já encaminhou o seu plano
de cargos e salários à Assembléia Legislativa
Estadual para aprovação.
O nosso, apesar dos esforços, ainda se encontra em
fase de discussão no Tribunal, sem data prevista
para apreciação no Pleno.
Nossa angústia aumenta na proporção
que se aproxima o final do presente exercício. Já
estamos no mês de agosto, faltando apenas quatro meses
para o fim do ano. Se não contarmos com o apoio de
Vossas Excelências nessa luta, o desespero pode assumir
proporções graves.
Acreditamos e apostamos todas as nossas esperanças
no PCS. Nossos desejos e sonhos são simples, vão
da singela vontade de colocar nossos filhos em escolas melhores,
para lhes garantir um lugar no restrito e disputado mercado
de trabalho alagoano, a conseguir terminar a construção
do muro da casa, e, quem sabe, comprar a tão sonhada
casa própria.
Além do que, desde que perdemos a gratificação,
nunca mais soubemos o que é pagar nossas contas em
dia. Mais ainda, não ter que pedir empréstimos
a bancos para pagar dívidas.
Com este documento, queremos repassar nosso temor de que
nosso Plano tarde ainda mais para chegar. Adentrar 2007
sem a garantia de um reajuste, uma data base e a possibilidade
de progredir na carreira, é FRUSTRANTE e ANGUSTIANTE!!!
Nossa
causa é justa, é legítima. Não
queremos ser esquecidos por mais um ano! Plano de Cargos
e Salários Já!
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